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Um puto e uma puta em Buenos Aires

Uma história de viagem: Um Puto e uma Puta em Buenos Aires

Devo confessar: quase dei bomba em Buenos Aires, apenas no segundo dia da nossa primeira viagem à capital argentina.

Tudo começou quando resolvemos visitar a Rua Florida, uma região muito conhecida e frequentada por turistas, famosa pela grande quantidade e variedade de lojas.  Como bons turistas que somos, tínhamos que bater ponto em todos os cartões postais, e é claro que a gente foi lá. Para falar a verdade, no começo fiquei arrependido, mas depois passou. Foi uma experiência interessante, que pôde ser resumida em algumas palavras: “¡Cambio! Reales!”, “¡Bom dia, Brasil!”, “¡Show de Tango!”, “¡Passeios para Brasileños!”, “Puto” e “Puta”.

Puto e Puta, é isso mesmo? Sim, por isso o título do post.

Assim que chegamos ao início da rua, que deve ser percorrida a pé, já que não passam carros, começamos a ser abordados por pessoas oferecendo algumas coisas para brasileños a cada cinco passos que dávamos. Eu pensava: “Caramba, como sabem que sou brasileiro?” Eram tantas as abordagens que chegou uma hora em que eu fiquei desconfiado se não tinha alguma etiqueta ou adesivo pregado nas nossas roupas escrito “SOU BRASILEIRO”. Com o passar do tempo percebi que estávamos calçando tênis, fora do ritmo da cidade e não nos parecemos com os argentinos (sim, eles têm muitas características físicas em comum): tudo isso era o tal adesivo. E mais, MUITOS brasileiros visitam Buenos Aires, especialmente a tal rua Florida.

E as abordagens não cessavam. Eram passeios turísticos, shows, oportunidades imperdíveis de câmbio de moeda, restaurantes… Eu já estava a ponto de explodir de tensão e raiva, pois não conseguia andar direito, até que, após estarmos cheios e transtornados, chegamos a um local chamado “Galerias Pacífico”, um shopping.

Graças a Deus as abordagens pararam. Lá dentro a gente andou bastante, almoçamos enquanto assistimos à mordida do Suárez, digo, à partida entre Itália e Uruguai pela Copa do Mundo, olhamos vitrines, fizemos uma pequena compra, tiramos fotos, aliviamos a tensão, mas… Já estava na hora de voltar para o hotel.

Como não olhamos outras opções de volta no mapa, tivemos que nos submeter à tortura dos abordadores de turistas da Rua Florida…

E começou novamente a nossa batalha, agora a passos rápidos e sem olhar para os lados. Logo que saímos do shopping um rapaz nos ofereceu de maneira insistente (e bloqueando nossa passagem) uma promoção especial para namorados relacionada a um show de tango. Que cara chato!

Quando conseguimos nos livrar dele, surgiu uma princesinha carente, com não mais do que cinco anos de idade, muito bem orientada por um homem que acreditamos que era seu pai e estava com outros dois menininhos. Foi tudo muito rápido, mas vimos, quando passamos por ele, que tocou a menininha (que era linda) acenando com a cabeça em nossa direção, como se dissesse “vai”. E a garotinha começou a nos acompanhar choramingando: “¡Un moneda!” A Gê respondia: “No tengo”, mas a garotinha insistia: “No tengo mamá”, e a Gê repetia: “No tengo moneda”.

Ela continuou nos seguindo e apertamos ainda mais o passo, pois ficamos com medo de sermos distraídos e, assim, assaltados pelo pai dela. Mudamos o caminho, mas a menina não parava: “No tengo mamá” – e incansavelmente nos seguia, andando de costas, para ficar de frente para nós, e pulando na minha frente e na frente da Gê, olhando com uma carinha de tenha-piedade-de-mim. Quando percebeu que não receberia um centavo furado sequer, a princesinha chorona se transformou em um monstrinho do mal e, mirando bem no fundo dos meus olhos disse: “Puto”. E fez a mesma coisa com a Gê: “Puta”.

Acontece que puto em espanhol significa “maldito”, mas no coloquial argentino é outra coisa. Fiz algumas rápidas pesquisas e concluí que ela me chamou de homossexual (mas, claro, com uma conotação negativa, como o equivalente a “bicha” no português) e a Gê foi chamada de… puta mesmo.

Na hora eu realmente fiquei puto – no sentido de estar com raiva, esclareço – e falei várias coisas para aquela danadinha, além de sacudi-la até que ficasse tonta e ainda exigi que me pedisse perdão. Como ela não quis fazer isso, devolvi todos os xingamentos e a sacudi mais um pouco.

Voltando à realidade… eu fiquei puto de raiva e tive mesmo vontade de dar uma sacudida na pirralha, mas a verdade é que apenas continuei seguindo o meu caminho. Depois fiquei pensando que poderia ter dito a ela: “Puto no, Guto”. Sem graça, eu sei.

Não lembro a hora em que chegamos ao fim da rua Florida, pois fiquei com o xingamento e a carinha da peste na minha cabeça, mas lembro que o passo apertado não intimidou os abordadores incansáveis de plantão.

Quando retornamos ao hotel, analisando com cuidado o mapa da cidade, vi que para chegar às “Galerias Pacífico” não era necessário passar pela Florida. Falei para a Gê que havia achado o passeio dispensável. Contudo, acredito que numa segunda experiência encararia essas situações com mais naturalidade e bom humor. Ou, talvez, não.

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8 comentários em “Um puto e uma puta em Buenos Aires

  1. Como eu conheço a Gê, (não tão intimo, mas como primo) fiquei imaginando a sua cara! rsrs… E curti a auto descrição do “primo” aí. kkkk…

  2. Pingback: Mercado Central de Santiago, onde sua sensibilidade olfativa é posta à prova - Mineiros na estrada

  3. HOla, Guto, lamento mucho la situación. O insulto, porém, neste caso, no tiene nada que ver con la homosexualidad, o la promiscuidad, en el caso de “puta”. Forro, podria ser un insulto similar en castellano, mala persona, maldito no solemos decir, pero es la misma cosa. Espero te hayas llevado una buena impresion de mi pais, a pesar de todo. yo vivo a 30km del centro de bs as y no suelo ir nunca porque tambien es un lugar incómodo.
    Saludos!
    Pablo Dauria

  4. “Na hora eu realmente fiquei puto – no sentido de estar com raiva, esclareço – e falei várias coisas para aquela danadinha.”
    HAHAHAHHA Você escreve muito bem, e eu lamento muito pela a história, mas admito que dei algumas risadas aqui. Adoro esses relatos!

    • Hahahaha!!! Que bom que curtiu o relato, Débora! Na época ficamos um pouco assustados, mas hoje em dia a gente lembra de tudo e ri bastante também!

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