Página inicial / Baependi / Como foi percorrer o Caminho Velho da Estrada Real com um carro comum

Percorremos o Caminho Velho da Estrada Real de Paraty até Lagoa Dourada com um carro comum (1.0) e contamos os detalhes trecho a trecho.


A Estrada Real é o caminho usado durante o Brasil Colônia para transporte de pessoas e mercadorias, especialmente para escoamento da produção mineral de ouro e diamantes. Essas estradas foram abertas pela Coroa e partiam de Minas Gerais com destino aos portos do Rio de Janeiro – capital e Paraty.

São quatro diferentes rotas, chamadas de Caminhos, totalizando mais de 1600 quilômetros: 

  • Caminho Velho – foi o primeiro caminho e liga Ouro Preto a Paraty. São 710 km, dos quais 11,5% são asfalto, 6% são trilhas e 82,5% são estradas de terra.
  • Caminho Novo – criado como uma rota alternativa ao Caminho Velho, ligando Ouro Preto ao Rio de Janeiro. São 515 km, dos quais 32% são asfalto, 5% são trilhas e 63% são estradas de terra.
  • Caminho dos Diamantes – liga Diamantina a Ouro Preto. São 395 km, dos quais 26% são asfalto, 0,5% são trilhas e 73,5% são estradas de terra.
  • Caminho Sabarabuçu – o menor dos caminhos liga o distrito de Glaura (Ouro Preto) a Cocais. São 160 km, dos quais 22,5% são trilhas e 77,5% são estradas de terra.

Em 2001, a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – FIEMG, criou o Projeto Estrada Real, que, além de valorizar nosso patrimônio histórico e cultural, busca estimular o turismo e preservar as antigas Estradas Reais. Todos os caminhos são sinalizados com marcos numerados que indicam a direção a ser seguida e nos quais há informações sobre a região. No site oficial do projeto é possível baixar mapas, planilhas e obter muitas informações sobre os caminhos, auxiliando bastante no planejamento da viagem.

Mapa Ilustrativo da Estrada Real
Mapa ilustrativo da Estrada Real – Fonte: Instituto Estrada Real

O Passaporte da Estrada Real

Algo muito legal criado pelo Instituto Estrada Real foi o Passaporte, que pode ser retirado gratuitamente em Diamantina, Ouro Preto, Glaura, Cocais, Tiradentes, Paraty e Petrópolis. Na medida em que o viajante vai percorrendo os Caminhos, pode ir parando nas cidades para pegar um carimbo. Ao concluir cada um dos caminhos é possível obter um certificado. Veja como requerer seu passaporte e a lista de todos os pontos de carimbo no site oficial. Sempre há pelo menos dois pontos em cada cidade.

passaporte da estrada real
Pegando nosso carimbo em Itamonte

Percorrendo o Caminho Velho da Estrada Real com um carro comum

O site oficial da Estrada Real indica quatro meios para percorrer os caminhos: a pé, de bicicleta, a cavalo e de 4×4. Esses meios de transporte sugeridos se devem ao fato de a maior parte da Estrada Real ser de estrada de terra, como você viu acima quando eu expliquei sobre os Caminhos. Como não temos preparo e ânimo para as duas primeiras opções e não andamos a cavalo, sobraria para nós o carro 4×4.

Só que não temos um carro desses e alugar um ficaria muito caro. O jeito que encontramos para fazer essa viagem foi usar um carro comum. Como não temos carro, alugamos um utilizando a Rent Cars. Esse site compara os preços nas melhores locadoras e mostra as melhores opções. É possível utilizar filtros de pesquisa e o pagamento pode ser parcelado no cartão de crédito. Alugamos um HB20 1.0.

Se você precisa alugar um carro, utilize nossos links. Você não paga nada a mais por isso, mas a gente ganha uma pequena comissão. Assim, você nos ajuda a manter o site no ar.

Nós já havíamos percorrido o Caminho Novo com um carro de passeio em janeiro de 2018. Porém, como era período de chuvas, as estradas de terra estavam em condições muito ruins – normal, né? Por esse motivo, precisamos fazer muitos desvios pelo asfalto. Dessa vez, viajamos no final de junho/início de julho, ou seja, inverno e período de seca. A expectativa era conseguir fazer o máximo possível pela estrada original. Como você verá no decorrer deste post, a tarefa foi concluída com sucesso. Sim, conseguimos percorrer boa parte do trecho entre Paraty e Lagoa Dourada com um carro 1.0 sem grandes dificuldades.

Como tínhamos 11 dias, decidimos dividir o roteiro da seguinte forma:

Como organizamos os trechos

Preferimos fazer o maior trajeto no primeiro dia e ir subindo rumo a BH no retorno. Achamos que seria menos exaustivo do que deixar o maior percurso para o fim da viagem, quando já estaríamos cansados. Assim, fomos direto para Paraty, onde passamos quatro noites.

Leia também: Onde ficar em Paraty: a maravilhosa pousada Casa da Vila Moura

As pernoites em Passa Quatro e em São Lourenço foram decididas com base na distância. Dessa forma, no dia 5 rodamos 160 km (Paraty a Passa Quatro) e no dia 6, 65 km (Passa Quatro a São Lourenço).

A outra cidade em que ficamos, Carrancas, foi escolhida por ser um lugar que desejávamos conhecer havia muito tempo. E, por fim, São João del Rei serviu de base para revisitarmos a cidade e também Tiradentes.

Embora o Caminho Velho termine (ou comece) em Ouro Preto, fomos apenas até Lagoa Dourada em virtude da quantidade de dias que dispúnhamos, já que não queríamos abrir mão de passar mais tempo em Paraty. Explicarei melhor sobre isso no detalhamento do último dia.

Como fizemos durante a viagem

Três medidas foram tomadas por nós:

  1. Estudamos e imprimimos as planilhas fornecidas pelo Instituto Estrada Real;
  2. Lemos com atenção as orientações trecho a trecho no site oficial;
  3. Colocamos as rotas no Google Maps e baixamos os mapas para uso offline.

As planilhas são muito bem explicadinhas e praticamente recorremos apenas a elas durante a viagem. Normalmente os mapas nos ajudavam apenas na saída de cada cidade até encontrarmos o primeiro marco. A partir dali, íamos seguindo as planilhas impressas, ticando os marcos encontrados e seguindo as orientações ali contidas.

Dica: Quando você coloca as rotas no Google Maps, o caminho indicado para carro é, na imensa maioria dos casos, pelas estradas asfaltadas. Trocando o meio de transporte para bicicleta, o aplicativo passa a mostrar as estradas de terra que, quase sempre coincidem com a Estrada Real.

Abaixo, detalharemos os trajetos que fizemos, descrevendo todos os trechos e explicando quando e por que tivemos que fazer algum desvio.

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Dia 5 – Trecho Paraty – Cunha – Guaratinguetá – Vale do Embaú – Passa Quatro

Após passarmos 4 noites em Paraty, pegamos estrada rumo a Passa Quatro. Foram, aproximadamente, 160 km.

Leia também:

centro historico de paraty
Centro Histórico de Paraty
carimbo estrada real Paraty
Nosso passaporte com o carimbo de Paraty

A estrada Paraty-Cunha é a Estrada Real até determinado ponto. Essa estrada passa por dentro do Parque Nacional Serra da Bocaina e é lindíssima, embora com muitas curvas e trechos bem estreitos. Até então este trecho era com calçamento.

Marco da Estrada Real entre Paraty e Cunha
Marco da Estrada Real entre Paraty e Cunha

Em certo ponto, a Estrada Real deixa de ser a Paraty-Cunha e passa a ser de terra. Como é uma região extremamente montanhosa com trechos muito íngremes e estreitos nós optamos por não segui-la, permanecendo na estrada Paraty-Cunha. Havia chovido na serra e preferimos não arriscar. Inclusive, quem quiser visitar O Lavandário em Cunha deve fazer o mesmo que nós, já que atração fica às margens da rodovia (estrada Paraty-Cunha). Infelizmente, no dia da nossa viagem O Lavandário estava fechado, bem como o Contemplário, que é uma atração que nós também gostaríamos de ter visitado. Ficou para uma próxima oportunidade. Veja como é a visita ao Lavandário no blog São Paulo sem Mesmice.

Em Cunha nós visitamos apenas a Igreja Matriz e pegamos o nosso carimbo na Doceria da Cidinha, que fica na mesma praça.

Igreja Matriz de Cunha
Igreja Matriz de Cunha

Cunha-Guaratinguetá

O segundo trecho do dia foi de Cunha a Guaratinguetá e por ainda ser uma região montanhosa nós optamos também por seguir via assalto, tendo em vista os trechos bastante íngremes e a chuvinha do dia anterior. Veja o que diz o site da Estrada Real:

“O trecho mescla asfalto e terra. Tem início em terreno plano, aos 550 m de altitude, com elevação moderada durante os primeiros 10 km. A partir daí iniciam-se fortes subidas, até atingir os 1.100 m de altitude, no marco 1305.” Grifo meu.

Entre Cunha e Guaratinguetá
Optamos por ir por asfalto de Cunha a Guarantinguetá. A vista é sempre muito bonita.

Em Guaratinguetá nós pegamos o carimbo do passaporte na Casa de Frei Galvão, que é um museu com entrada gratuita dedicado ao primeiro santo brasileiro. Aproveitamos para conhecer o espaço. São apenas duas salas contando um pouco sobre sua vida. Ao lado da casa há uma lojinha onde são vendidas lembranças e podem ser retiradas pílulas de Frei Galvão.

casa de frei galvao guaratingueta
Casa de Frei Galvão

Passamos também na estação ferroviária, mas apenas a vimos por fora. 

Guaratinguetá – Vila do Embaú – Passa Quatro

Entre Guaratinguetá e Passa Quatro seria necessário fazer vários desvios por haver trilhas e duas pontes caídas. Além disso, alguns trechos coincidiriam com a rodovia. Por esses motivos, resolvemos seguir pelo asfalto. Esse trecho é bem bonito, com a Serra da Mantiqueira se aproximando cada vez mais.

Na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, em um local chamado Garganta do Embaú, existe um mirante de onde é possível ver o Vale do Paraíba. 

Chegando a Passa Quatro, fomos direto ao Centro de Informações Turísticas, que fica na Praça da Igreja Matriz, e ali retiramos nosso carimbo. De lá seguimos para o apartamento que alugamos pelo Airbnb.

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Dia 6 – Trecho Passa Quatro – Itanhandu – Itamonte – Pouso Alto – São Lourenço. Pernoite em São Lourenço

Trecho Passa Quatro – Itanhandu

O primeiro trecho desse dia foi entre Passa Quatro e Itanhandu. Colocamos o Colégio São Miguel como referência no Google Maps, pois é em frente a ele que está o primeiro marco saindo da cidade. Ali viramos a direita e já pegamos a estrada de terra, que estava em boas condições. Praticamente durante todo o percurso a estrada seguiu paralelamente à rodovia. Em vários trechos era possível ver vestígios da antiga linha férrea. A chegada em Itanhandu é na antiga estação ferroviária.

Estrada Real entre Passa Quatro e Itanhandu
Estrada entre Passa Quatro e Itanhandu
Marco entre Passa Quatro e Itanhandu
Marco entre Passa Quatro e Itanhandu

Fomos tentar pegar o carimbo na Secretaria de Turismo, mas não conseguimos localizá-la. No endereço indicado funciona um colégio particular. Como não havia ninguém na secretaria da escola, perguntei a uma aluna se ela sabia onde era a Secretaria de Turismo do Município e ela me indicou uma portinha, que estava trancada. Aproveitamos para almoçar ali perto, no Laral. Comida caseira bem gostosa por 13 reais o prato feito. Retiramos o carimbo no Hotel Terra Sul. Somente depois descobri que a Secretaria de Turismo mudou de endereço para  Rua Prefeito Amador Guedes, 165.

Leia também:

Passaporte da Estrada Real em Itanhandu
Com o nosso passaporte na Igreja Matriz de Itanhandu

Trecho Itanhandu – Itamonte

O segundo trecho do dia foi de Itanhandu a Itamonte, em um trajeto curto de menos de 11 Km passando na porta da Pousada Vila Minas, onde nos hospedamos em outra viagem para o sul de Minas. Essa parte do percurso também foi tranquila e a estrada estava bem conservada.

Marco entre Itanhandu e Itamonte.
Marco da Estrada Real entre Itanhandu e Itamonte. O marco menor é do CRER, Caminho Religioso da Estrada Real, que também auxilia bastante.

Pegamos o carimbo na Secretaria de Cultura, na rua que desce perto do letreiro com o nome da cidade (na Praça da Igreja Matriz).

Passaporte em Itamonte

Trecho Itamonte – Santana do Capivari – Pouso Alto

O terceiro trecho foi de Itamonte a Pouso Alto. Originalmente, o trecho passa por Santana do Capivari e São Sebastião do Rio Verde. Porém, no site da Estrada Real há uma indicação para quem está de carro pular a primeira parte do trecho original e seguir por asfalto até Santana do Capivari.

Assim nós fizemos. Como estávamos doidos para chegar logo a São Lourenço (o Guto não estava passando bem), resolvemos ir direto de Santana do Capivari para Pouso Alto, sem passar por São Sebastião do Rio Verde.

Chegando a Pouso Alto, procuramos a Secretaria de Turismo para retirar o carimbo, mas ela estava fechada. Então, fomos até o Hotel Serra Verde para isso.

Com nosso passaporte da Estrada Real na Igreja Matriz de Pouso Alto
Com nosso passaporte da Estrada Real na Igreja Matriz de Pouso Alto

Trecho Pouso Alto – São Lourenço

O trecho de Pouso Alto a São Lourenço estava bem conservado e foi facilmente percorrido. Apenas uma observação: o marco de número 1144 está do lado oposto ao indicado na planilha.

Outro que está incorreto é o 1138, que está do lado direito, quando o correto é virar para a esquerda. Porém, essa observação consta na planilha. 

Em São Lourenço dormimos no Class Hotel, o qual achamos excelente. Falaremos sobre ele em outro post.

Class Hotel São Lourenço
Class Hotel São Lourenço

Dia 7 – Trecho São Lourenço – Caxambu – Baependi – Cruzília – Carrancas

Como já havíamos viajado especificamente para São Lourenço em outra ocasião e conhecido sua principal atração, o Parque das Águas, decidimos apenas retirar o carimbo e cair na estrada. Pegamos o carimbo no posto de informações turísticas, que fica no calçadão, perto da entrada do Parque das Águas.

Com nosso passaporte da Estrada Real em São Lourenço
Com nosso passaporte da Estrada Real em São Lourenço

Trecho São Lourenço – Caxambu

O primeiro trecho do dia foram cerca de 27 km de São Lourenço a Caxambu. No geral a estrada estava boa. Entretanto, entre os marcos 1130 e 1129 havia trechos bem íngremes e com terra solta. Não tivemos problemas por ser descida. Porém, não sabemos se no sentido oposto um carro comum subiria sem perrengue.

Entre os marcos 1128 e 1127 foi o pior pedaço da estrada, uma vez que havia muitas subidas e a camada de terra estava bem alta e fofa. 

Estrada Real entre São Lourenço e Caxambu
Estrada Real entre São Lourenço e Caxambu

Atenção para o marco 1125. Ele está posicionado corretamente do lado direito da rodovia – é mesmo para virar a direita. Porém, na planilha está com a setinha indicado a direita (correto) mas escrito “virar a esquerda” (errado).

Marco entre São Lourenço e Caxambu
Marco entre São Lourenço e Caxambu

Chegamos a Caxambu e fomos ao Parque das Águas para retirar o carimbo. Como também já havíamos visitado o parque, seguimos viagem.

Passaporte da Estrada Real em Caxambu
Com nosso passaporte em Caxambu

Trecho Caxambu – Baependi

De Caxambu até Baependi são cerca de 7 km numa estrada de terra muito boa. Retiramos o carimbo na Igreja de Nhá Chica. O ponto de carimbo fica em uma lojinha nos fundos da igreja. Nós almoçamos em um restaurante que fica ao lado da igreja. Era self-service sem balança por 16 reais. Não tem muita variedade, mas a comida estava gostosa.

Igreja de Nhá Chica em Bapendi
Igreja de Nhá Chica

Aproveitamos para conhecer a Igreja Matriz da cidade.

Igreja Matriz de Baependi
Igreja Matriz de Baependi
Igreja Matriz de Baependi
Igreja Matriz de Baependi
Igreja Matriz de Baependi

Trecho Baependi-Cruzília

De Baependi até Cruzília é necessário fazer um desvio conforme consta na planilha. O trecho original da Estrada Real está com muitas valas, então é preciso seguir pela rodovia por 2 Km, pegar a esquerda em uma estradinha de terra e seguir nessa estradinha sempre à esquerda até encontrar o próximo marco, o qual será um marco sem placa, ou seja, sem numeração. O restante do trecho estava razoável e não temos nenhuma observação relevante a fazer. A chegada a Cruzília é na igreja da matriz. Nós pegamos o nosso carimbo no Museu Nacional Mangalarga Marchador, que fica à esquerda da matriz, e aproveitamos para conhecê-lo.

Marcos do CRER e da Estrada Real entre Baependi e Cruzília
Marcos do CRER e da Estrada Real entre Baependi e Cruzília
Museu do Mangalarga Marchador, em Cruzília
Museu Nacional Mangalarga Marchador
Com o nosso passaporte na Igreja Matriz de Cruzília
Com o nosso passaporte na Igreja Matriz de Cruzília

Trecho Cruzília – Carrancas

O trecho de Cruzília a Carrancas é o mais longo. São 67 quilômetros, divididos em duas etapas. A primeira tem 37 km e termina na Fazenda Traituba. O segundo tem 30 km e vai da Fazenda Traituba até o centro de Carrancas.

O primeiro trecho foi tranquilo (Cruzília-Traituba). Embora seja uma estrada com muitos mata-burros, a conservação era excelente, creio que por ser uma estrada municipal.

Uma observação importante é que no marco sem placa que fica entre o 1071 e o 1069 nós erramos o caminho. A indicação na planilha estava correta, mandado seguir à direita na bifurcação. Porém, o marco ficava no meio da bifurcação e, ao lado dele, havia duas placas indicando Traituba e Carrancas para a esquerda. Logo, viramos a esquerda e acabamos saindo da Estrada Real durante um trecho. Essa estrada errada que nós pegamos cruza novamente com a estrada real no marco 1060. E dali nós seguimos até a Fazenda Traituba, que atualmente está fechada tanto para visitação quanto para pernoite.

Boa estrada municipal liga Cruzília à Fazenda Traituba
Boa estrada municipal liga Cruzília à Fazenda Traituba

A segunda parte do trecho vai da Fazenda Traituba para Carrancas, em um trajeto de pouco mais de 30 km. Este segundo trecho é o mais lindo e também o mais difícil de ter vencido com nosso carrinho 1.0. Havia partes muito estreitas, com muitas pedras e buracos, mas não tivemos nenhum contratempo. O pior trecho na nossa opinião foi entre o marco 1041 e o 1038. Pudemos ver um lindo final de tarde, como vocês podem conferir nas fotos abaixo.

A chegada a Carrancas é na igreja matriz, onde há um marco. Se você chegar durante o final de semana, pode pegar o seu carimbo no centro de informações turísticas que funciona no coreto. Durante a semana você tem que procurar os outros pontos de carimbos. Nós fomos ao escritório de turismo que funciona no prédio da prefeitura, mas a pessoa responsável não estava com carimbo lá, o tinha deixado no coreto. A pousada que fornece o carimbo, porém, fica ao lado da prefeitura e foi lá que retiramos o nosso.

Leia também: Onde ficar em Carrancas: Pousada Céu e Serra

Marco da Estrada Real em frente à Igreja Matriz de Carrancas
Marco da Estrada Real em frente à Igreja Matriz de Carrancas
Com o nosso passaporte na Igreja Matriz de Carrancas
Com o nosso passaporte na Igreja Matriz de Carrancas

Dia 8 – Carrancas

Fizemos um passeio de 4×4. Não deixe de ler:

Carrancas: passeio de 4×4 por montanhas e cachoeiras

Dia 9 – Carrancas – São João del Rei

Dizem que o trecho entre Carrancas e São João del Rei é o mais bonito do Caminho Velho. Porém, atualmente não é possível percorrê-lo de carro – nem mesmo se for um 4×4. Isso porque no meio do caminho há um rio. Não há pontes e o único meio de atravessá-lo era por uma balsa, que está inoperante e sem data para voltar a funcionar. Quem vai a pé ou de bicicleta, porém, consegue atravessar o rio contando com serviço de barqueiros.

No caminho original, deve-se sair do centro de Carrancas e ir até o distrito de Capela do Saco – são 28 km. Dali se atravessaria o rio Grande até o povoado de Caquende, que já pertence a São João del Rei, e se seguiria por mais 50 km até o centro da cidade, passando antes pelo distrito de São Sebastião da Vitória. O percurso todo daria menos de 80 km. Abaixo seria o trecho original:

Até pensamos na possibilidade de ir até Capela do Saco para conhecer e depois retornar e ir até Caquende e dali recomeçar a Estrada Real. Só que vimos que o desvio que teria que ser feito era de aproximadamente 60 km a mais. Uma pena o transtorno que a falta da balsa está causando. Olhe no mapa o tamanho da volta que as pessoas precisam dar para ir de Capela do Saco a Caquende. Imagina quem mora na região e precisa ir de um lugar a outro com frequência.

Caso fôssemos até Capela do Saco teríamos que retornar quase até o centro de Carrancas novamente, para, então, irmos até São João del Rei.

Bom, por esse motivo, infelizmente pulamos este trecho e fomos direto de Carrancas a São João del Rei pela rodovia. Em São João nos hospedamos no belo Garden Hill Hotel e Golfe, sobre o qual falaremos em um próximo post.

Leia também: Como foi nossa ótima hospedagem no Garden Hill Hotel e Golfe

Garden Hill Golfe e Hotel
Garden Hill Hotel e Golfe

Dia 11 – São João del Rei – Tiradentes – Prados – Lagoa Dourada

Em São João del Rei pegamos nosso carimbo no Centro de Atendimento ao Turista, próximo à Igreja São Francisco de Assis.

Com nosso passaporte da Estrada Real em São João del Rei
Com nosso passaporte da Estrada Real em São João del Rei

Trecho São João del Rei – Tiradentes

De São João del Rei a Tiradentes é superfácil. São apenas 11 km mesclando asfalto e calçamento. Um coisa interessante é que, mesmo sendo um trajeto tão curto, passamos por dentro de outro município, Santa Cruz de Minas, famosa por seus artesanatos e por ser o menor município brasileiro em extensão territorial, com apenas 3,5 km². Ficamos impressionados com a quantidade de lojas e com a beleza dos produtos.

Outro ponto importante neste trecho é o Marco Zero do projeto Estrada Real, que fica entre os marcos 925 e 624, no município de Santa Cruz de Minas.

Marco Zero do Projeto Estrada Real, entre São João del Rei e Tiradentes
Marco Zero do Projeto Estrada Real, entre São João del Rei e Tiradentes

Em Tiradentes pegamos nosso carimbo na Secretaria de Turismo, que fica no Largo das Forras.

Leia também:

Com nosso passaporte na Igreja Matriz de Tiradentes
Com nosso passaporte na Igreja Matriz de Tiradentes

Trecho Tiradentes – Prados

Também foi um trecho bem tranquilo. Percorremos 20 km, sendo cerca de 9 deles em calçamento, até Bichinho. Vale aproveitar para dar uma volta por ali e também para visitar o Museu do Automóvel da Estrada Real, que fica um pouco antes de se chegar ao distrito.

Igreja Nossa Senhora da Penha, em Bichinho
Igreja Nossa Senhora da Penha, em Bichinho
Casa Torta, em Bichinho, distrito de Prados
Casa Torta, em Bichinho

Continuamos a viagem por mais uns 9 km de terra até o centro do Município de Prados. Chegamos lá por volta de meio-dia e, como o ponto de carimbo da Secretaria de Turismo fecha para almoço, aproveitamos também para almoçar. Comemos no Uca, um restaurante self-service com balança. Comida simples e gostosa, a cerca de 30 reais o quilo.

Marco da Estrada Real entre Tiradentes e Prados
Marco da Estrada Real entre Tiradentes e Prados

Voltamos até a Prefeitura, conforme endereço indicado na planilha de carimbos do site da Estrada Real, mas fomos informados de que a Secretaria de Turismo e Cultura agora funciona em outro prédio. Ainda bem que era bem próximo: era só virar uma rua. A sala da Secretaria fica no mesmo local da Câmara dos Vereadores. É só entrar e subir a escada de madeira. Como ainda faltavam uns minutos para os servidores voltarem do almoço, aproveitei para olhar o prédio histórico e uma exposição sobre as edificações tombadas pelo Município.

Prédio Histórico em Prados
Pegamos o carimbo neste prédio, onde funcionam vários órgãos públicos
Prédio Histórico em Prados
O carimbo é retirado entrando no segundo portão, o sem grade
Câmara Municipal de Prados
Entrando nesta porta, você verá uma escada de madeira. Suba-a. A Secretaria de Cultura é à esquerda.
Carimbo Estrada Real Igreja Matriz de Prados
Com nosso carimbo na Igreja Matriz de Prados
Prados Minas Gerais
Prados Minas Gerais

Trecho Prados – Lagoa Dourada

Este foi o trecho que mais deu trabalho. Para começar, foi dificil achar o ponto de partida na cidade: o Parque de Exposição. Não achamos nenhuma indicação no Google e tivemos que perguntar na cidade. Por isso, deixo para você a localização do Parque de Exposição, que se chama Parque de Exposições Prefeito Gastão de Azevedo Cardoso. Clique aqui para abrir o mapa com a localização correta.

Bem, dali fomos seguindo a planilha. No marco 912 já começa o calçamento (e não terra, como diz na planilha) e no 910 começa a estrada de terra. Começou muito bem, mas logo ficou terrível!

Estrada Real entre Prados e Lagoa Dourada
Os primeiros metros foram tranquilos. O pior ainda estava por vir.

Havia muito buraco, muita pedra, uns trechos bem complicadinhos, além de muitas vacas na pista. Um pouco depois do marco 902, estávamos esperando uma ponte para atravessar, como constava na planilha. Só que a tal ponte estava mais pra pinguela. Eram umas ripas de madeira bastante desiguais e, claro, sem proteção nas laterais. Ficamos com medo (ficamos com o fiofó na mão, na verdade), mas passamos assim mesmo.

Estrada Real entre Prados e Lagoa Dourada
Estrada Real entre Prados e Lagoa Dourada

Mais uns quilômetros de muito sacolejo e chegamos ao marco 893. A indicação era abrir a porteira, passar outra ponte (sobre a qual não fazíamos ideia das condições) e abrir outra porteira. Faltava apenas 1,4 km para completar esse trecho, pois no marco número 889 começa uma trilha, com direito a pinguela, córrego e mais porteira, ou seja, teríamos que pular o trecho entre os marcos 889 e 875 de qualquer forma.

Mas, voltando ao marco 893… Ficamos com medo do que nos esperava naquele 1,4 km final, pois em tão curto trajeto teríamos não apenas mais uma ponte, mas também duas porteiras e já conseguíamos avistar dezenas de vacas e bois daqueles bem chifrudos no meio da estrada. Vimos pelo GPS que se seguíssemos em frente a partir do marco 893, chegaríamos à rodovia BR 383. Não pensamos duas vezes e abortamos o trecho entre o 893 e 889.

Fizemos o seguinte caminho:

Em Lagoa Dourada, pegamos o carimbo na loja O Legítimo Rocambole e, claro, que aproveitamos para comprar alguns rocamboles para trazer para casa. Aproveitamos para atualizar o post com os valores praticados em julho de 2019.

Leia também: Lagoa Dourada, a cidade do rocambole

Igreja Matriz de Lagoa Dourada
Com nosso passaporte da Estrada Real na Igreja Matriz de Lagoa Dourada

Nós decidimos encerrar a viagem pela Estrada Real em Lagoa Dourada por dois motivos. Primeiro, a questão do tempo. O percurso de Lagoa Dourada até Ouro Preto é bem longo, são cerca de 190 quilômetros. Precisaríamos de pelo menos mais um dia de viagem para isso.

Outro motivo é que o trecho entre Lagoa Dourada e Ouro Preto passa por áreas dentro de mineradoras e próximas a barragens, além de lugares de difícil acesso. Veja o que diz o site da Estrada Real: 

Entre Entre Rios de Minas e São Brás do Suaçuí:

“No marco 769, é necessário atenção para quem estiver de carro, porque corre-se o risco de atolar no terreno úmido (próximo a um curso d’água).  A estrada é de terra batida, com grande fluxo de carros da mineradora MRS.” – grifos meus.

Entre São Brás do Suaçuí e Pequeri:

“Antes do marco 749, o caminho é por um pasto, com difícil acesso para carros comuns, principalmente em épocas de chuva. O percurso é feito em uma trilha de 2 km. O trecho termina dentro de uma fazenda de livre acesso.” grifo meu

Retornamos, então, para Belo Horizonte por asfalto, mas resolvemos da uma passada em Entre Rios de Minas para pegarmos o carimbo e em Congonhas, para revisitarmos o Santuário de Bom Jesus dos Matozinhos e também garantirmos o carimbo da cidade.

Conclusão: Vale a pena viajar de carro comum pelo Caminho Velho?

Nós gostamos demais e, de maneira geral, não tivemos grandes problemas. O único trecho que nos arrependemos foi entre Prados e Lagoa Dourada, devido aos buracos e à ponte de madeira que estava em precárias condições na data da nossa viagem (julho de 2019).

Ressaltamos que fizemos a viagem em período de seca. Em época de chuva, não arriscaríamos pegar essas estradas de terra com um veículo comum.

Gostou? Salve no Pinterest e consulte sempre que quiser:

Percorremos o Caminho Velho da Estrada Real de Paraty até Lagoa Dourada com um carro comum (1.0) e contamos os detalhes trecho a trecho.

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2 comentários em “Como foi percorrer o Caminho Velho da Estrada Real com um carro comum

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