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O dia em que errei o aeroporto

Se você acompanha a gente aqui no blog, deve saber que sou professor de Matemática. Hoje vou contar pra vocês uma história que aconteceu comigo em 2014.

Eu fui aprovado em um processo seletivo para ser membro do conselho de inovação de uma renomada fundação educacional, com sede em São Paulo (adoro essa cidade!!!). Como membro desse conselho, precisei fazer algumas viagens para a sede da instituição. Eram viagens curtas, de um ou dois dias, no máximo, às vezes ia e voltava no mesmo dia, com todas as despesas pagas pela fundação.

Pois bem, o resultado da seleção tinha acabado de sair e eu estava superempolgado com o novo desafio profissional, que vinha acompanhado de uma viagem imediata para Sampa! Recebi por e-mail as informações sobre passagem aérea e, para facilitar o embarque, fiz o check-in pelo aplicativo de celular.

O voo estava marcado para 6h30 de uma quinta-feira, então me programei para chegar ao aeroporto de Confins às 5h30, para não correr o risco de atrasar. A reunião, no escritório próximo à Avenida Paulista, estava marcada para 8h30. Já ficava pensando na pauta da reunião e na apresentação dos outros coleguinhas do conselho de inovação. Gosto muito de conhecer pessoas!

Eu disse Confins? Ah, tá.

Como era um bate-volta, eu estava apenas com uma mochila, e caminhava tranquilamente pelo saguão do aeroporto quando decidi olhar os painéis com os códigos e horários dos voos. Na primeira vez que olhei, não localizei o que queria.

Mas é claro, está muito cedo.

Olhei novamente para o painel e passei os olhos cuidadosamente por todos os voos, inclusive os que iam decolar mais tarde. Nada. Havia voos para São Paulo, mas sairiam mais tarde, e a numeração não conferia.

Caramba, será que meu voo foi cancelado? Preciso olhar com mais atenção.

O coração deu aquela acelerada. Retirei os óculos, esfreguei com abundância os olhos judiados pelo astigmatismo (e, naquele momento, já marejados).

Caramba, se eu não chegar a essa reunião o meu filme estará completamente queimado!!! Quem vai acreditar que um pobre ralé como eu se deu o luxo de errar o aeroporto?

Realmente, pelo painel, o voo não estava previsto. Peguei o celular, abri o aplicativo de check-in e senti meu corpo tremer, de tão acelerado que o coração ficou. Não havia nada de errado com o voo, e sim com o aeroporto. Aliás, estava tudo bem com o aeroporto, o problema era comigo… O voo estava previsto para sair do aeroporto da Pampulha, e não de Confins.

Caramba!!! Que mané sou eu!!! Não acredito que não olhei direito essa droga de aplicativo!!!

Vamos combinar que errar aeroporto é muito luxo para uma pessoa que não vive viajando de avião, concordam? #rico

Meu mundo caiu por alguns instantes, fiquei parado, meio perdido. De repente, olhei para o relógio e, logo em seguida, para uns táxis que estavam estacionados.

Será que dá tempo? O embarque está previsto para 6h, na Pampulha! Não vou gastar menos de 40 minutos até lá! O trânsito já deve estar todo congestionado! Tô encrencado, tô lascado, tô perdido! Mas já que estou numa fria, o que mais pode piorar? Não custa nada tentar.

Corri para o ponto de táxi e, desesperadamente, entrei no primeiro carro que estava estacionado.

Eu: Amigo, estou super atrasado. Preciso estar na Pampulha às 6h, será que você consegue chegar lá?

Taxista: O embarque é às 6h ou o voo sai às 6h?

Eu: (Liga logo essa geringonça e a gente conversa no caminho!) Embarque às 6h. O voo sai 6h30.

O taxista, enfim, ligou o carro e acelerou.

Taxista: Podemos tentar. Eles devem encerrar o embarque às 6h15, então acredito que dá tempo. Você já fez o check-in?

Eu: Sim.

No meio do caminho, a cada marcha reduzida ou semáforo vermelho, meu coração batia forte e os dentes rangiam. Todos os músculos do corpo se contraíam.

Taxista: O que houve? O seu voo foi cancelado ou transferido de aeroporto?

Eu: Cara, toda semana eu vou para São Paulo e sempre embarco nesse mesmo voo. Não sei o que deu na cabeça da secretária, que dessa vez marcou para a Pampulha e não me avisou…

Não vou comentar essa minha fala com o taxista. O que vocês pensariam se fossem ele? #rico[2]

Já dizia o Homer Simpson: “Se a culpa é minha, eu ponho ela em quem eu quiser.”. Até na secretária imaginária.

Taxista: Olha… Mas tem voo saindo de Confins e da Pampulha no mesmo horário e para o mesmo aeroporto em São Paulo? Eu não sabia… É qual operadora?

Eu: (A operadora do inferno! Não tô a fim de conversar! Pisa nesse acelerador!) Azul… Também estou achando estranho… Mas, enfim, se eu perder esse voo será muito ruim, pois tenho uma reunião em São Paulo às 8h30. Ir no próximo voo vai complicar.

Honestamente, não lembro de detalhes do que aconteceu no trajeto. Não lembro se conversei com a Gê pelo Whatsapp ou se fiquei com vergonha de fazer isso, porque eu sabia que ela ia me zoar (e com razão). A única coisa que lembro é que eu estava péssimo, me sentindo um tremendo idiota. Meu rosto queimava. E meu coração estava parecendo uma furadeira, achei que ia morrer!

Enfim, enfrentamos pequenos congestionamentos, mas conseguimos chegar ao aeroporto da Pampulha às 6h10. Ainda havia esperanças para o embarque.

Taxista: Acho que vai dar tempo. A corrida deu 96 reais.

Eu: Obrigado. Fique com o troco!

Desci correndo do carro, nem lembro se bati a porta, mas realizei meu sonho ao dizer que era para o taxista ficar com o troco. Essas coisas sempre acontecem em filmes e novelas, e naquele dia aconteceu comigo, também.

Cem reais mais pobre, saí correndo com a mochila pendurada nas costas e procurei o balcão da companhia aérea, que ficava do outro lado do saguão do aeroporto. Eu não fazia ideia de onde era o portão de embarque. Ofegante, perguntei a uma funcionária, que respondeu apontando a direção: – O embarque é do outro lado do saguão, à esquerda.

Droga! Acabei de vir correndo de lá!

Comecei a correr novamente, na direção indicada, e avistei uma fila de pessoas passando pelo portão. Tive poucos segundos para olhar o telão e ver que aquelas pessoas e eu tínhamos um voo em comum: definitivamente, sou um ser abençoado e iluminado, pois o início do embarque atrasou 15 minutos.

Graças a Deus! Perdão, Senhor, por todos pensamentos ruins, por ter amaldiçoado o meu dia e os acontecimentos!

Convido você a imaginar os acontecimentos a seguir, em câmera lenta: Assim que saí da sala de embarque, fui para o pátio do aeroporto, ao ar livre. O sol já raiava forte, então coloquei meus óculos escuros. Enquanto caminhava, um sorriso tímido brotou. O rosto parara de queimar, o coração acertara o ritmo, os músculos relaxaram. Naquele momento, eu já sabia que não estava perdido.

Agora tudo vai dar certo.

(Foto de abertura: C_kc_k – Flickr)

O dia em que passei muito aperto porque fui para o aeroporto errado e só me dei conta pouco tempo antes do embarque. Quase perco o voo, mas a história não perco, jamais!

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