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Belém: o histórico Mercado Ver-o-Peso

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O lugar que eu mais queria ir em Belém era o Mercado Ver-o-Peso. Dizem que lá a gente conhece o Pará de verdade, que vê coisas incríveis e exóticas (para nós que não somos do Norte) e eu queria conferir se era mesmo essa propaganda toda.

Deixarei aqui as minhas impressões, sem esconder nada de você – teve coisas de que gostei e coisas de que não gostei. E saber delas também é importante para calibrar as expectativas e/ou tomar algumas providências.

Logo no dia da chegada a Belém, no caminho entre o aeroporto e o hotel, passamos em frente ao mercado. A primeira impressão foi de um lugar muvucado, muito cheio e apertado.

Assim que tive oportunidade, peguei um táxi e parti para lá. Fui sozinha e o taxista me disse muitas e muitas vezes para tomar bastante cuidado por lá, não ficar sozinha em corredores mais ermos e não dar ideia se alguém que não seja de alguma barraca vier puxar papo, além de não deixar a mochila dando sopa nas costas.

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Um pouco receosa (tá bom, muito receosa), coloquei a mochila para frente, carrregando-a por uma alça só e comecei a andar pelos corredores do mercado.

Olha, não vou mentir. O mercado é bem sujinho e fedorento. Sem contar que bem ao lado tem o Mercado do Peixe, aquele azul, e por ali atracam barcos com toneladas de peixe. Bandos imensos de urubus ficam sobrevoando o dia todo. Quase certo que onde tem urubu, tem fedor.

Pontinhos pretos=urubus

Pontinhos pretos = urubus

Mas logo de cara já percebi que, no meio da aparente bagunça, há uma organização. É tudo setorizado e indicado por plaquinhas em português e inglês. Fui andando pelo mercado, observando tudo e aos poucos comecei a me encantar pelo lugar. De vez em quando, batia uma foto com o celular, não sem antes dar uma checada nas redondezas. A variedade de coisas que a gente encontra ali é impressionante. Tem desde frutos do mar e frutas de árvores até produtos industrializados – essa última parte eu nem olhei, pra isso temos em BH o Shopping Oi.

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No setor de camarão, você encontra desde microcamarões, os aviús, que mais parecem camarão moído até os graúdos. E aí tem de tudo que é jeito, com casca, limpo, batido, seco…

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Tem um setor de pimentas e ali você pode escolher in natura, conserva, molhos.

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Tem as frutas que nós conhecemos e as típicas como taperebá, cupuaçu, araçá, buriti, tucumã, muruci, bacuri e mais um monte que eu não me lembro mais. E tem as polpas também.

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Na área das farinhas, tem de tudo que é tipo.  E cada tipo ainda tem de vários jeitos: da grossa, da fina, da ultrafina.

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E as castanhas? Ah, as castanhas! Aos montes, com ou sem casca. E se você nunca viu a cachopinha onde elas ficam quando ainda estão na castanheira, lá você verá. Eu já tinha visto na minha viagem ao Acre, mas acho que a maioria dos que lerão este post não teve a oportunidade de comprovar que o Acre existe ver.

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E se você tem qualquer problema na sua vida pode resolvê-lo no setor das garrafadas, onde as cheirosas, que é como chamam as vendedoras, têm remédio pra tudo. Pra problemas digestivos, enxaqueca, derrame, diabetes, colesterol, espinha ou coceira.

Anda meio desanimadinho? Tem viagra natural também. Quer trazer a pessoa amada em três dias? É só tomar a poção certa! Acha que colocaram olho gordo em você? Lá você resolve isso também. E se seu problema é falta de dinheiro, vai lá que você encontra a solução.

E foi ali no Ver-o-Peso que eu vi a maniva (no setor de maniva!) pela primeira vez. É a folha triturada da mandioca brava, ingrediente da maniçoba, prato muito popular no Norte do país. Como a mandioca brava tem uma alta concentração de ácido cianídrico (que pode até matar), especialmente nas folhas, é necessário cozinhá-la por muito tempo para que deixe de ser tóxica. E quando eu digo muito tempo, é muito tempo mesmo: sete dias direto, sem desligar o fogo. No mercado você pode encontrar a maniva cozida ou crua. A dona Conceição lá da pousada do Marajó me falou que ela prefere comprar a crua e cozinhar ela mesma, porque assim ela terá garantia de que será cozida por sete dias mesmo.

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No setor de artesanato você encontra lembrancinhas lindas e com bons preços e pode conhecer a cerâmica marajoara.

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E no setor de peixes você pode ver, entre outras coisas, o pirarucu vendido em forma de mantas salgadas, tipo como vemos o bacalhau por aqui.

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Se a fome apertar, você pode lanchar ou mesmo almoçar por lá, como um típico belenense. Sente-se em um balcão e coma um peixe com açaí. Antes que você estranhe, saiba que não é aquele açaí que vemos a cada esquina por aqui, com leite condensado, banana, granola, leite em pó e mais um monte de coisas. Lá no Norte se come o açaí puro e eles dizem que o daqui, com essa misturada toda, é fajuto. Por 10 reais você pode mandar uma pratada de peixe frito com o açaí legítimo. Achei meio sem higiene, porque a comida fica ali no balcão mesmo, onde o povo vai comendo e conversando. Não encarei, até porque já tinha provado lá no Acre (de novo o Acre) e achei forte demais para o meu paladar.

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O lugar onde funciona o mercado era, desde o século XVII, um posto de fiscalização da Coroa Portuguesa, onde se verificava o peso dos produtos comercializados. Por causa disso, era chamado de Casa de Haver o Peso, daí a origem do nome.

Essa Casa funcionou até 1839, quando foi extinta e sua construção foi arrendada para venda de peixe. Com o fim do arrendamento, em 1847, a casa foi demolida e logo depois se começou a construir o Mercado de Carne, ou Mercado Bolonha, inaugurado em 1867.

Em 1897, no auge do Ciclo da Borracha, começou a ser construído o Mercado de Peixe, que teve toda a sua estrutura de ferro trazida da Europa. Foi inaugurado em 1901, mesmo ano em que o Mercado de Carne foi restaurado por Francisco Bolonha (Caso queira saber mais sobre a História, leia aqui).

Mercado de Peixe, o azul

O Ver-o-Peso, os Mercados de Peixe e de Carne, a Praça do Relógio, o Solar da Beira e a Feira do Açaí formam um conjunto histórico e arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 1997.

Praça do Relógio

Praça do Relógio

Sobre a Feira do Açaí, eu não fui porque não animei acordar de madrugada, mas você pode ler o relato da Sílvia do Matraquando.

Enfim, eu gostei do Ver-o-Peso. A sujeira e o fedor são inegáveis, mas vale pela oportunidade de estar em um mercado com tanta relevância histórica e onde a presença da cultura paraense é tão marcante. Por esse mesmo motivo, não dá para entender o porquê de um lugar tão importante para Belém e para o Pará e um ponto turístico conhecido nacionalmente estar tão deteriorado. O lugar precisa de uma revitalização pra ontem. Isso sem falar na questão da segurança. Durante o tempo que fiquei lá, não vi um policial sequer. De qualquer forma, caso seja o tipo de programa que você curta, vale dar uma passada por lá. Tome as devidas precauções e vá conhecer o Pará de verdade.

Complexo Ver-o-Peso
Boulevard Castilho França. Cidade Velha
Funciona todos os dias, o dia todo. O Mercado de Peixe, de 6h às 14h.

Foto de abertura: Pedro Einsfeld (Flickr)

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